O Papel do Farmacêutico na Diabetes | Farmácia Rodrigues Rocha

A Farmácia, como serviço de proximidade, de portas abertas e sem necessidade de marcação para se ser atendido, torna-se no primeiro local a que o doente recorre para esclarecer as suas dúvidas. Isto é válido para toda a gente, mas a pessoa com diabetes tem determinadas especificidades.

- Fui diagnosticado com diabetes, e agora?
O doente saiu da consulta, esclarecido pelo médico, mas o stress associado a uma notícia destas por vezes deixa o doente "desligado", procurando ajuda junto do farmacêutico. Este, por sua vez, vai elucidar o doente, quer a nível da toma da medicação (o quê, a que horas) quer aconselhando alterações no seu estilo de vida que poderão ajudar a melhorar os seus níveis de glicémia.

- Quantas vezes preciso de medir a glicemia?
Um diabético tipo 1 terá de medir diariamente e mais que uma vez por dia, para ajustar a administração da insulina. 
Um diabético tipo 2 varia o número de medições, normalmente de acordo com o que for indicado pelo médico.

- Quando devo medir a glicemia?
Habitualmente em jejum, ou 2 horas após a refeição. Em alguns casos poderá ter de efetuar medições antes e após cada refeição (mais comum na diabetes tipo 1).
Também deve medir caso se esteja a sentir mal, pois poderá ser uma baixa de açúcar (hipoglicémia) ou uma subida excessiva (hiperglicémia).

- Para além da medicação, o que posso fazer para baixar os níveis de açúcar no sangue?
A alteração dos estilos de vida prende-se essencialmente com introdução de atividade física (caminhada, bicicleta, etc) e modificações na alimentação. Comer de 3 em 3 horas (5 a 6 refeições por dia), quantidades pequenas de cada vez, evitando bolos, bolachas e bebidas açucaradas, e privilegiando o consumo de carnes magras, peixe, fruta da época, legumes e cereais integrais. A bebida de eleição deverá ser a água.
Claro que em dias de festa todos abusamos um pouco, mas isso deverá ser a exceção e não a regra.
Pode consultar mais recomendações aqui: http://bit.ly/diabetes_nutricao

- Quais as principais complicações que a doença pode trazer?
A diabetes tem uma elevada morbilidade. Tem consequências em quase todo o nosso organismo, principalmente se os níveis estiverem constantemente elevados e/ou descontrolados. 
A pessoa com diabetes é acompanhada em várias frentes, para detetar o mais precocemente estas complicações e evitar o seu agravamento.
Perda de sensibilidade nas extremidades (mãos e pés)
Pé diabético
Doença arterial periférica (má circulação nas pernas)
Amputação de membros
Problemas sexuais (perda de libido, dificuldade em manter uma ereção)
Infeções vaginais recorrentes (Candidíase)
Glaucoma (hipertensão ocular)
Hipertensão arterial
Cegueira
AVC
Doença coronária
Insuficiência renal
Para evitar tudo isto, o diabético deverá ter o cuidado de manter os seus níveis de glicemia controlados.

- O que é a Hemoglobina Glicada - Hb A1c ?
É uma forma de hemoglobina naturalmente presente nos nossos glóbulos vermelhos, que se forma por reação com a glucose em circulação na corrente sanguínea.
O valor deste indicador é muito importante no controlo da diabetes, pois ele ajuda-nos a saber se os valores de glucose no sangue estiveram muito elevados durante muito tempo ou não. 
Para ter uma noção, uma descida de 1% no valor da HbA1c, o risco de complicações diminui 25%.
O valor considerado normal é abaixo de 6,5%, mas num diabético relativamente bem controlado pode ir até aos 7,5%. Os valores acima requerem uma intervenção mais incisiva pois há maior risco de aparecerem complicações inerentes à doença.
É o principal valor a ter em conta no controlo da doença.

Em resumo, a pessoa com diabetes necessita de uma abordagem multifactorial, resultante de todas as implicações que esta doença tem. O farmacêutico pode orientar e esclarecer, mas o auto-cuidado e o acompanhamento pelo médico, enfermeiro, podologista e nutricionista são essenciais.

Pode encontrar mais informação e apoio sobre a doença no Portal da Diabetes: http://www.apdp.pt/